Implementando cultura de UX utilizando S.H.I.T. e Crazy 8's
Recentemente iniciei um novo desafio profissional, ou seja, lá vamos nós começar a implantar a cultura de UX em uma nova empresa, novos desafios, novas pessoas, novos costumes...
Esse artigo está cheio de lições aprendidas por mim durante esse primeiro contato e se trata única e exclusivamente da minha experiência. Resolvi compartilhar porque acredito que pode ser útil para alguém, então, bora lá?
Que S.H.I.T. é esse?
Descobri essa metodologia através de um artigo no medium, e basicamente se trata de uma forma de priorizar os recursos de uma interface complexa de acordo com a categorização Shall we?, Hidden, Interaction e Treasure.
Sabendo disso, você coloca todos os recursos disponíveis através daquela interface em post-its (um por post-it, claro) e deixa todos eles juntos ao lado de um quadro branco (ou parede) onde deverão classificar esses recursos de acordo com a missão principal.
Após a definição do que o usuário deverá ou faz quando entra naquela página, inicia-se a categorização, colocando os post-its conforme sua importância. Os essenciais ficam em Treasure e o restante dividido nas demais categorias, conforme exibido abaixo.

Colocando a mão na massa
Durante os dias 31/01, 05/02 e 07/02 realizamos algumas sessões utilizando a metodologia S.H.I.T., onde cada sessão durou em média 2~3 horas, envolvendo 18 colaboradores no total (6 por sessão, mais que isso eu acho começa a perder o foco com facilidade).
A tela utilizada em todas as sessões foi a de Recursos, onde a missão dos usuários é "Enviar um determinado recurso para um plano de saúde", tarefas simples com objetivos simples e que tinha o visual abaixo.

Só para dar uma noção do tamanho da confusão, foram identificados 91 elementos de ação na tela para o usuário utilizar, isso deixando de fora operações que apareciam em modais que aconteciam em alguns raros casos, então resolvemos não contabilizar estes e focar na maioria.
Em cada sessão os colaboradores deveriam discutir sobre cada ação descrita nos post-its e a partir daí começar a classificar da melhor forma possível o que realmente é útil ao usuário e o que não é.
Pouco a pouco a mudança já foi começando a surgir no quadro onde os post-its estavam organizados, e das 91 ações, restaram apenas 14 como essenciais e aproximadamente 50 foram eliminadas ali, na primeira rodada.
A parte que deixou todo mundo “Crazy”
Após a priorização finalizada e todos os post-its estarem devidamente organizados, o novo desafio dos colaboradores era de realizar 2 sessões de crazy 8's, ou seja, eles deveriam expressar com 8 esboços como deveria ser a tela que pudesse representar aquela nova organização, dentro de apenas 5 minutos.
Na moral, foi muito engraçado a execução por causa da loucura que é você fazer 16 esboços (2 rodadas de 5 minutos), mas os resultados foram muito proveitosos, alguns não conseguiram fazer os 16, fizeram só 8, mas independente disso, valeu a pena.
#Dica: explique bem o funcionamento e objetivo da dinâmica para evitar frustrações dos colaboradores ou pensamento de: “não sei desenhar”.
Todos terminaram, colamos os esboços na parede e fomos discutir sobre as melhores ideias para apresentar tudo que foi acordado entre o grupo.
Nessa hora normalmente surgem os melhores insights, prepare-se para anotar bastante.

E os resultados? Temos?
Com certeza, vários resultados...
Após 3 workshops realizados, fiz o levantamento de todos os pontos de convergência (ou concordância) e divergência (você já sabe), com esses dados analisados consegui observar que, pasmem, eles também não concordavam com a quantidade de ações que haviam na tela, e que aquilo era pela forma como o sistema tinha crescido, aproveitando telas e etc…
Em 93% dos itens os colaboradores concordaram com a classificação escolhida, ou seja, de 91 itens, apenas em 6 não houve concordância entre os 3 grupos.
Com isso desenvolvi alguns wireframes e comecei a validá-los, fiz testes com alguns colaboradores, até mesmo com alguns que participaram do workshop.
Os feedbacks deles foram bem legais, só que na visão de todos ainda faltavam alguns ajustes, mas já era algo mais palpável e próximo da realidade dos nossos usuários e que realmente ajudaria eles.

Depois de validações e ajustes, hora de aumentar a fidelidade do protótipo, aqui utilizamos o Figma como ferramenta, então comecei a criar a interface e alguns componentes já pensando nas possíveis utilizações futuras, claro que sem sair do escopo do wireframe e das pesquisas que foram realizadas.

Protótipo feito, hora de apresentar o resultado disso tudo né!?
A última reunião
A maior missão agora era conseguir reunir as 23 pessoas que estavam ligadas com o workshop.
Sim, coloquei mais pessoas para ter novas visões sobre o projeto e protótipos e também dos fluxos.
Aqui na empresa isso é muuuito complicado, mas com ajuda de alguns gestores, consegui.
Fim da apresentação, tudo resolvido, resultados apresentados, protótipos também, já aproveitei e mandei um formulário online para todos os participantes para poder colher feedbacks sobre os workshops, os protótipos e todo o conteúdo apresentado, alguns comentários eu coloquei abaixo, então confere aí:
“Acredito que essa dinâmica poderia ser feita com alguns clientes, no mais foi ótimo!”
“Muito bom, acredito que esse tipo de processo irá gerar uma maior satisfação não só nos clientes, mas nos usuários como um todo.”
“Acredito que essa iniciativa foi super válida para avaliarmos sobre o que o produto precisa ser melhorado, aliado a feedbacks dos colaboradores com novas sugestões.”
Lições aprendidas
Na moral, fazer as pessoas verem como é o HOJE do seu próprio sistema, traz uma nova visão sobre tudo o que elas estão fazendo hoje, seja na abertura de novos tickets ou no desenvolvimento de novas funcionalidades, e que isso impacta lá no usuário final.
Além claro de que agora, ainda conseguimos despertar mais ainda a visão de todos sobre a importância de se colocar no lugar do outro, aumentar o senso de empatia.
Trazer o pensamento de que a experiência do usuário não é feita por mim, e sim, por todos nós.
Referências
Agradecimento especial a toda a equipe da ZG Soluções que participou de todo o processo, ao Rafael Frota (meu bot preferido sobre o figma que me ajudou na revisão) e ao Bruno Correia Arantes (bigodudo incrível que me ajudou nesse processo).