UX Design como ferramenta na produção de diversidade
Uma reflexão sobre como podemos projetar melhores experiências considerando a pluralidade de vivências dos nossos usuários.

Diversidade é um conceito muito amplo e trata-se de tudo aquilo que não é semelhante.
No caso de uma sociedade diversa, estamos falando de:
- Etnia
- Gênero
- Religiosidade
- Orientação sexual e identidade de gênero
- Costumes locais
- Idioma…
Enfim. São numerosos aspectos que podemos falar sobre o que é diversidade.
Para se ter ideia do quanto a diversidade é importante, em 2001, a Unesco declarou que a pluralidade cultural é tão necessária para a constituição humana, quanto a biologia é para a natureza.
Segundo a declaração da ONU de 1948, todo o ser humano é igual. Porém, entendeu-se anos mais tarde que apenas essa declaração não bastaria para colocar todos em nível de igualdade.
Daí surgiram novos tratados que voltam seu olhar para grupos mais vulneráveis como o de negros, mulheres e LGBTQIA+.
A partir desse contexto te convido a pensar sobre qual seria o papel do UX design nesse cenário.
Questione-se
Sabemos que a Experiência do Usuário vai muito além do uso do produto efetivamente, e nesse ponto gostaria de trazer uma reflexão:
Será que o design que estamos produzindo atualmente está preparado para atender à todas as pessoas que usam o nosso produto ou ainda, será o que nosso produto não poderia estar sendo utilizado por outras pessoas que não o nosso target primário?
Questionar-se é o primeiro passo para podermos repensar o UX design como uma das ferramentas impacto positivo na sociedade.
Agora imagine a seguinte situação:
Uma empresa de motoristas por aplicativo estão sofrendo com um churn muito alto da sua base de clientes mulheres, além de estarem com dificuldades de ativar novas usuárias.
Após pesquisas descobriu-se que um dos principais motivos para isso estar acontecendo é a reputação negativa que está se formando em torno da marca, por causa da conduta indecorosa de alguns dos seus motoristas que vêm frequentemente desrespeitando as usuárias.
Percebemos então que, neste exemplo, não há nenhum problema diretamente relacionado à features do aplicativo — porém o que identificamos é que há um grave problema na jornada dessas usuárias e por isso elas estão deixando de usar os serviços da empresa, visto que muitas delas já relataram ser assediadas pelos motoristas.
Outro exemplo: um app de controle de fluxo menstrual.
Será que ele não poderia ter uma linguagem sem gênero? Visto que além das mulheres sis gênero, homens trans e pessoas não binárias também poderiam usá-lo?
Exemplos não faltariam, mas minha pretensão neste texto é promover uma reflexão sobre quais públicos o nosso produto ainda não atinge e o que poderíamos fazer para que isso acontecesse.
A diversidade não é só importante para construirmos produtos mais plurais e icônicos, mas também é uma ótima fonte agregadora de recursos financeiros, visto que conseguimos inseri-los em mercados jamais antes pensado.
Cases de mercado
Magazine Luiza
A Magazine Luiza durante a pandemia de coronavírus, criou um botão de pedido de socorro para que mulheres vítimas de violência doméstica conseguissem acionar o serviço de proteção de forma discreta.
Bandaid
Já a Bandaid criou novas versões do seu produto clássico, para atender aos mais variados tons de pele;
LivUp

A LivUp possui uma API integrada ao seu e-commerce de tradução simultânea em libras, visando facilitar a navegação de usuários surdos.
Independente se a experiência que estamos projetando é para um produto on ou off é importantíssimo, nós nos questionarmos:
“Eí será que o meu produto atenderá todo mundo de forma igual?”
“E essa experiência que estou projetando ela causará um impacto positivo na vida das pessoas?”
“Essa jornada será percorrida de forma consistente por todos os meus grupos de usuários?”
Se a resposta for não para algum desses pontos, acho que estará na hora de pararmos e darmos um passo atrás e pensarmos qual é a experiência positiva que queremos entregar com o nosso produto ou serviço.
Contudo, é na diferença que nos tornamos iguais.
Até podemos fazer parte do grupo hegemônico na maioria do tempo e não estarmos preocupados com os grupos minoritários — mas mesmo por temos uma religião diferente ou um costume característico da região em que vivemos, é certo que gostaríamos de nos sentirmos representados, respeitados e valorizados ao consumirmos algo.
Se nós que estamos no front da projeção de experiências não exercitarmos nossa empatia com o próximo, é bem capaz que nós nos deparemos com experiências ruins projetadas por outros profissionais que pensam igual a nós.
Estou sempre aberto ao diálogo, sei que tem muito mais a ser dito em torno desse tema e que ainda temos uma longa jornada para percorremos em busca de um futuro mais plural e justo.
Referências:
- Declaração Universal dos Direitos Humanos
- Diversidade não é # (Diego Oliveira, via Meio e Mensagem)
- Educando para a Diversidade (TV Unesp)