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Triplica a demanda por especialistas em UX no Brasil — mas o que isso significa?

Fabricio Teixeira
UX Collective 🇧🇷
5 min readJun 15, 2017

Da Globo.com:

Foto: Marcelo Martins

Triplica a demanda por especialistas em UX no mercado brasileiro

“Sabe aquela cadeira que é bonita, mas nem um pouco confortável? E aquele site onde é difícil encontrar o que você busca? São exemplos de produtos e serviços que proporcionam experiências ruins e não agradam ao consumidor final. Tais falhas poderiam ter sido evitadas com a ajuda de um profissional que está em alta no mercado: o especialista em “user experience” (UX) ou, em português, experiência do usuário. Segundo a empresa de recrutamento Michael Page, a demanda das empresas por esse perfil triplicou no último semestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. (…) Esse profissional acompanha todas as etapas do projeto de um produto ou serviço. Sua atuação segue basicamente as seguintes etapas: identificar falhas, criar soluções e testar a experiência oferecida. O resultado gera mais satisfação para os clientes e economia para a empresa.

(…) É inevitável associar UX a carreiras tecnológicas, mas, além de Design e Tecnologia da Informação, cursos como Arquitetura, Publicidade e Psicologia também podem habilitar para a função. O salário médio do especialista UX em meio de carreira varia entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Entre as competências que o especialista UX deve ter estão: criatividade para propor soluções, habilidade para contar histórias, capacidade de conduzir entrevistas e testes, e interesse por análise comportamental. Além disso, é importante ter intimidade com programas como Adobe Muse, Photoshop, InDesign, e Illustrator, que auxiliam no desenvolvimento de protótipos e wireframes (esboços de produtos e sites).”

Legal que UX está crescendo. Mas triplicar em 1 ano?

Segundo a empresa de recrutamento Michael Page, a procura por profissionais de UX triplicou desde o último ano.

Então quer dizer que o meu time também vai triplicar de tamanho?

Não exatamente. Esses números não passam da culminação de fatores que já vinham acontecendo há algum tempo no nosso mercado. Dá para tentar listar alguns dos motivos por trás de números tão altos:

1. Software, no geral, cresceu

Software cresceu no mundo. Sites, apps, redes sociais, streaming, bots. O tempo que passamos por dia interagindo com software, enquanto usuários, também cresceu. Consequentemente, o mundo precisa de mais times que consigam construir todos esses sistemas todos.

2. As empresas descobriram que Design é a receita do $ucesso

Tecnologia e desenvolvimento continuam sendo extremamente importantes para fazer todo esse software funcionar. Mas histórias de empresas como Apple, Facebook e Uber, onde Design fez diferença brutal no sucesso dos negócios, acabaram inspirando e educando todo o nosso mercado sobre a importância em ter (bons) designers no time. Bom design virou sinônimo de consumidores mais felizes, que virou sinônimo de mais lucro.

3. E estão tentando equilibrar a proporção designers-desenvolvedores

Nos últimos 5 anos, a proporção de designers e desenvolvedores dentro da IBM passou de 1:72 para 1:8. Em outras empresas como Atlassian, Dropbox, Intercom, Linkedin e Uber não foi nada diferente:

Fonte: Figma

Algumas empresas alegam que sua meta é chegar a uma proporção de 1:3 — um designer para cada três desenvolvedores. Ou seja: a contratação de designers ainda não deu sinais de desaceleração.

4. Todo mundo está atento às boas experiências de uso

“Not everyone is a designer, but everybody has to have the user as their north star.”. Mais e mais, dentro das empresas, os vários departamentos e times começaram a atentar para a importância de criar boas experiências de uso para seus consumidores.

5. Todo mundo virou UX Designer

Observando o aumento da procura pelo termo “UX”, muita gente correu para atualizar o perfil no Linkedin e se tornar “encontrável” no meio desse frenesi todo. Quem era designer de interfaces virou UX/UI Designer. Quem era Front-End Engineer agora virou UX Engineer. Até quem não faz pesquisa com usuários no dia-a-dia colocou as duas letrinhas mágicas (UX) no perfil, para aumentar as chances de ser visto por lá.

E de onde virão tantos UX designers?

Difícil prever. Mesmo nos EUA os cursos de HCI (Human-Computer Interaction), UCD (User-Centered Design) e IxD (Interaction Design) não estão sendo suficientes para colocar profissionais no mercado que consigam cobrir a demanda. Imagino que no Brasil a situação esteja parecida, se não pior — já que esses cursos são mais raros ainda, quase inexistentes.

Mas como em toda nova onda tecnológica, a ordem dos fatos costuma seguir um certo padrão:

  1. Primeiro surgem os profissionais-modelo (os “UX originais” lá dos anos 90) que participaram de histórias de sucesso de negócios através de Design e inspiraram outras empresas a também terem UX Designers;
  2. Depois vêm as empresas seguidoras tentando copiar o modelo e criando vagas de UX, contratando profissionais e criando variações do modelo de trabalho;
  3. Depois os profissionais atualizam os Linkedins da vida para suprir a demanda — é aqui que o crescimento mais exponencial acontece;
  4. Depois começam a surgir cursos rápidos independentes para suprir a demanda a curto prazo e ajudar os profissionais a estarem mais bem preparados para as demandas daquela “nova profissão”;
  5. Depois as universidades criam cursos mais estruturados e completos naquele assunto.

Substitua “UX” por qualquer outra profissão técnica que tenha surgido recentemente, e a fórmula é mais ou menos a mesma.

De qualquer forma, essa repentina “triplicação de UX” é um ótimo sinal para a indústria como um todo. Mais gente entrando no mercado (fiquem tranquilos, estamos longe de um mercado saturado), mais perspectivas diferentes, mais empresas reconhecendo o valor de UX para os negócios. No geral: um mercado mais maduro e mais preparado para o que vem pela frente.

Vida longa a UX!

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